Mais um curso não vai te colocar no Mercado de TI

Porque iniciar um novo curso na área não vai resolver a tua dificuldade para entrar no mercado de TI.

Qual é o propósito do Fábrica de Analistas?

Esses dias me peguei assistindo aqueles programas de sobrevivência e o cenário era a floresta amazônica. Gigantesca, tem aí por volta de 20x o tamanho da Alemanha, e abriga uns 20% das espécies de animais do mundo todo, sem falar da água abundante… Mas com tudo isso que tem lá, é provável que alguns de nós crescidos na cidade e acostumados a caçar no supermercado teríamos alguns problemas de sobrevivência lá se não nos entregassem um manual com direções e algumas orientações.

Só estou querendo ilustrar aqui pra você uma coisa muito simples: recurso não te garante sucesso na carreira.

Nós estamos passando por um dos momentos de maior abundância de informação para os profissionais de TI. E não é aquele clichê da quantidade de informação que a internet nos trouxe. Quando a gente foi obrigado a ficar em casa em 2020, houve uma onda de grandes empresas liberando treinamentos e mais treinamentos que antes eram cobrados (e não eram baratos) para serem feitos sem custo! Sem contar com a democratização do ensino promovida por plataformas como Udemy, Hotmart e afins que conectam as pessoas que possuem conhecimento com quem está buscando a informação a um valor praticamente irrisório, na maioria das vezes…

E é aí que está a coisa, com o medo de perder a “oportunidade de aprender uma coisa muito promissora” nós passamos a se matricular no maior número de cursos que possível, baixar o maior número de materiais que possível, ter acesso ao maior número de bootcamps que possível.

Mas hoje quero te mostrar que talvez essa não seja a melhor estratégia rumo ao teu próximo passo na carreira.

A importância das Skills para a Carreira de TI

A gente as vezes esquece que os profissionais, não importam o nível de senioridade são contratados para resolver algum tipo de problema usando uma determinada tecnologia ou um conjunto delas.

Quando estamos buscando alguém para uma determinada função, estamos esperando que essa pessoa tenha um mínimo de capacidade de entender e atender às demandas da função com essas tecnologias. Nós não estamos buscando quem mais fez cursos, nós não estamos buscando quem concluiu uma faculdade, nós estamos buscando quem senta na cadeira e é capaz de resolver algum problema.

E é aí que ser o papa-cursos te atrapalha, pois é necessário ter algum tipo de profundidade no que você se propõe a fazer, é preciso se desenvolver nas tecnologias que rondam a carreira principal que você está estudando.

Canso de atender pessoas que estão há alguns anos estudando tecnologia, não conseguem entrar no mercado e possuem histórias parecidas: todas as semanas começam um novo curso, uma nova área, uma nova possibilidade de atuação.

Está tudo bem, se você estiver em alguma das posições que citei, mas se você quer mesmo dar próximos passos e ter uma carreira mais sólida na TI, não estude um assunto por semana, não troque a carreira alvo uma vez por mês (a não ser que esteja dando certo). Você tem que se preocupar em construir algum tipo de profundidade naquilo que você se propôs, a estar minimamente preparado para resolver um problema do mundo real com a tecnologia.

O processo seletivo que você não vê

Sim, a maioria dos currículos foi “descartado” antes mesmo de você saber que ele entrou em questão para uma vaga.

Entenda uma coisa, uma vaga qualquer para a área de tecnologia em uma ferramenta de RH vai ter pelos menos algumas centenas de currículos cadastrados e é claro que os recrutadores não analisam currículo a currículo… As plataformas mais simples de recursos humanos já fazem uma pré-seleção dos candidatos baseada nas suas skills.

E, pasmem, elas não vão selecionar os perfis que mais tem abrangência de conteúdo, elas vão selecionar os perfis que mais tem semelhança e compatibilidade com a vaga, aqueles que se prepararam para atender aquela necessidade específica.

Aí você que nunca se aprofundou em uma área, que nunca se preocupou com o que as vagas pedem, e fez todos os cursos possíveis de forma rasa e superficial e só colheu mais um diploma para colocar no LinkedIn estará sempre batendo na traves das vagas e da evolução que você quer.

Direcionamento de Carreira e Espelhamento de Skills

Ravy, mas é bem complicado essa história… Ninguém conta sobre o que eu preciso saber para estar preparado para a vaga X ou vaga Y.

É aí que você se engana, não existe melhor direcionador sobre o que você precisa desenvolver do que as próprias vagas. Uma empresa séria vai construir a divulgação de uma vaga espelhando a necessidade que ela tem, as competências que os profissionais precisam ter e as coisas que eles precisam resolver… Tá bem aí, na sua cara, a uma pesquisa no LinkedIn de distância de você.

Esse é o processo que eu chamo de Espelhamento de Skills, nada mais é do que uma forma de conseguir o maior resultado que possível do menor esforço aplicado (é meio que ser preguiçoso), ou seja, parando de estudar tudo que passa pela frente, e começando a dizer não para um monte de possibilidades.

Pra gente fechar a ideia de hoje quero te dar alguns conselhos mais práticos:

• Se a coisa está muito confusa, e você está sem perspectiva de desatar esse nó, procure pessoas que já passaram pelo mesmo processo que você, pessoas que estão no lugar onde você quer estar.
• Escolha uma carreira para atuar dentro da TI, em outra oportunidade podemos falar sobre o desenvolvimento de carreira em “T”, mas, neste momento, foque em se desenvolver em uma área de atuação;
• Faça seu planejamento de estudos com base no que as vagas pedem, você também pode se basear nas pessoas que estão onde você quer estar (o que estudaram, quais habilidades desenvolveram?).

Se está lendo até aqui, obrigado pela atenção, espero ter te ajudado e se quiser um contato mais próximo e diário, estou lá no Instagram falando sobre carreira de TI diariamente @ravydourado.

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